quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

festas felizes


No passado dia 16 de dezembro, o tonsdeazul comemorou dez anos e com esta azáfama toda, própria desta mês festivo, não consegui deixar aqui algumas palavras para celebrar esta data tão significativa. 

Fazendo uma retrospetiva destes 10 anos, só tenho para vos dizer que, para além de terem passado num instante, guardo com carinho bons momentos deste espaço e das amizades que permanecem. 

Com o ano a terminar, desejo a todos os que visitam o tonsdeazul um Natal cheio de luz e harmonia e um ano de 2016 recheado de novos projetos.

Beijinhos e abraços!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

16| livrarias e bibliotecas no mundo

Mayersche Buchhandlung, Colónia, Alemanha

Cosmopolita, vibrante e muito conhecida pela sua catedral. 

Falo-vos de Colónia. Esta cidade alemã é um grande centro cultural e turístico que, independentemente do frio que se faça sentir, está sempre apinhado de gente nas ruas. Na época natalícia tem um encanto especial devido aos seus mercados de Natal e pistas de gelo.

Foi ao passear por uma das ruas mais frequentadas, a Schildergasse (city shopping) em direção à Neumarkt, que fui encontrar mais uma maravilhosa livraria para esta minha rubrica, a Mayersche Buchhandlung. Com três pisos, este espaço enorme oferece a quem o visita uma miscelânea de livros para todos os gostos, que um dia não chega para ver tudo. 

No primeiro piso encontram-se em maior destaque as novidades literárias. No segundo piso, para além dos livros, encontramos também a ala de música, postais e outras bugigangas. Já no último piso podemos aproveitar para descontrair no café da livraria e, enquanto bebericamos um chá quente viajamos com os livros, sem ter hora marcada. Ah! Neste último piso encontrei o que sempre procuro. Desta vez foi um guia de viagem sobre Portugal.

Posso dizer que gostei imenso do teto do café que está forrado com imensas capas de livros.

Uma coisa curiosa que encontrei com frequência nos espaços fechados de Colónia (não sei se é assim em toda a Alemanha) foram cães acompanhados dos seus donos. Sempre muito bem comportados lá andavam eles a pavonear-se pelos corredores de qualquer loja.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

«The great journey of an invisible ant»



É oficial! A curta-metragem «The great journey of an invisible ant» de Fernando Madeira (realização) e Igor Arrais (música) está a votos para o Super 9 Mobile Film Fest.

Se gostarem do filme, votem aqui! :)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

«Viagem Literária»

5 de dezembro | 17h00 | Teatro das Figuras

A Viagem Literária vai passar por Faro. 

Etapa a etapa, o que equivale a dizer mês a mês e cidade a cidade, a Porto Editora cumpre uma Viagem Literária a Portugal. De norte a sul, do litoral ao interior, passando pelas ilhas, esta Viagem percorre várias cidades, para fomentar o gosto pela leitura e pelo pensamento. A cada sessão, o jornalista João Paulo Sacadura conversa com dois reconhecidos escritores. A entrada é gratuita e a Viagem já começou.

Confiram aqui se vai passar na vossa cidade. :) Se já passou o que acharam?

sábado, 14 de novembro de 2015

«A Gente Vai Continuar»


«Enquanto houver estrada p'ra andar 
A gente vai continuar 
Enquanto houver estrada p'ra andar 
Enquanto houver ventos e mar 
A gente não vai parar 
Enquanto houver ventos e mar»

liberté, egalité, fraternité

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

«Futuro Eu» | Aqui vou eu

Festival F, em Faro, 04-09-2015
Foto tonsdeazul, com trabalho gráfico de David Fonseca

«A sua resposta está certa e por isso acaba de ganhar um convite individual para o concerto de David Fonseca, este sábado, [dia 14 de novembro], no Teatro das Figuras, em Faro.»
Passatempo Sul Informação

P.S. Ai como eu gosto destas sextas-feiras 13! :)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Eu fico com o Miguel"

O Meu Irmão de Afonso Reis Cabral é um daqueles livros que têm a força de abanar e incomodar. É um retrato desconcertante e impiedoso, onde não existem sentimentalismos.

O livro, Prémio Leya 2014, conta a história de Miguel, do seu irmão (cujo o nome não sabemos), das suas quatro irmãs: Joana, Matilde, Inês e Constança (pouco referenciadas na história) e dos seus pais. Fala-nos do Tojal, uma aldeia isolada no interior do país, onde ainda resiste a Olinda, com o marido, Aníbal, e o filho, Quim. E também confidencia-nos o amor de Miguel pela sua Luciana.

O irmão de Miguel, um professor universitário divorciado, é quem nos narra a história, presente e passada, intercalando com os seus pensamentos ou quem sabe com a voz da sua consciência.

Miguel tem síndrome de Down e com a morte dos pais, o seu irmão mais velho decide ficar com ele, o que até é considerado um alívio para as irmãs. O irmão decide refugiar-se no Tojal, com o Miguel e, na calma aparente dos dias, espera voltar à cumplicidade da infância de ambos. Com ele, o Miguel «contaria com uma base sólida, a rotina que lhe era essencial.» Porém, o irmão nutre um amor quase que obsessivo por Miguel. O afastamento, a culpa e a redenção caminham lado a lado com a raiva, o ciúme e a violência.

«O terceiro tipo de sofrimento é o dos deficientes, já que se assemelha muito ao dos animais e ao das crianças em simultâneo. Ao dos animais, porque se encontram presos dentro da sua própria condição. Ao das crianças, porque é a alma que sofre. E neste, o sofrimento do Miguel. E não há muito que o irmão mais velho possa fazer. Os pais mortos, as irmãs ausentes, a Luciana. Parece que o Miguel se vai apagando de dia para dia, e apagando-se – como agora – em luta contra mim. Mantém-se vivo na aparência mas as saudades da Luciana já o mataram.»

A maturidade narrativa deste jovem autor de 25 anos é notória. Talvez por ser trineto de Eça de Queiroz, sinta aquela responsabilidade acrescida... Contudo, dei por mim, diversas vezes, a questionar-me com a sua capacidade de escrita. Como é que Afonso Reis Cabral conseguiu abordar um tema tão delicado de uma forma tão verossímil, objetiva e cruel? (Descobri, entretanto, que o autor inspirou-se na sua experiência pessoal, pois tem um irmão com síndrome de Down).

«Regressamos lado a lado, devagar, tacteando. Perto do caminho que sobe para nossa casa, estreito-o com força. Murmuro-lhe ao ouvido «Miguel, não sei o que dizer», e ele responde «Não digas nada».

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

«O Miguel.»

Don't lose hopeValery Milovic, EUA

«Chegáramos ao fim, eu chegara ao fim. Não conseguia suportar mais a vida, se a vida continuasse a ser um emaranhado de altercações entre nós sobre a Luciana. À minha frente, a causa dos dissabores. Uma mulher desconchavada, de óculos, com o cabelo espesso mal penteado e o queixo raquítico. Sobretudo, deficiente. Ainda mais deficiente do que o meu irmão. E apesar disso nem sequer lhe metia medo. Sim, era como se eu não existisse.» 
O Meu Irmão, Afonso Reis Cabral

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

3| Lugares que inspiram a leitura

Praça da Alfândega em Porto Alegre, Brasil

Meu querido amigo Mario Quintana quero ler-lhe estas palavras:

Por muito tempo achei que a ausência é falta. 
E lastimava, ignorante, a falta. 
Hoje não a lastimo. 
Não há falta na ausência. 
A ausência é um estar em mim. 
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, 
que rio e danço e invento exclamações alegres, 
porque a ausência, essa ausência assimilada, 
ninguém a rouba mais de mim. 
in O Corpo, Carlos Drummond de Andrade

sábado, 10 de outubro de 2015

«um frívolo segundo de desabafo»

O Vento dos Outros – A cada passo, a vida inteira. Um título inspirador, que nos remete para viagens inusitadas e lugares distantes. Raquel Ochoa partilha, num relato apaixonante, a sua viagem de seis meses pela América do Sul.

«Em breve iria aterrar no aeroporto de Alajuela, mesmo ao lado de São José, a capital da Costa Rica, iniciando assim a minha primeira viagem à América do Sul. […] Parti sozinha…

A seguir à Costa Rica, a autora partiu para o Peru, explorou o Chile e a Argentina e terminou no Sul do Brasil, este último destino já não é acompanhado pelo leitor(a).

Partir só, por um longo período, com uma mochila às costas é uma decisão tentadora, mas que requer também um tanto ao quanto de coragem e um q.b. de aventura. Quando se parte só há mais predisposição para conhecermos e nos deixarmos conhecer. É um processo de autoconhecimento, meditação e de descoberta.

Neste livro de viagens, Raquel Ochoa contagia-nos com este bichinho que as viagens provocam em quem arrisca partir, em quem procura algo mais que ir até outro lugar, em quem viaja passo a passo por trilhos não planeados, ao sabor do vento e sem hora marcada para voltar.

«Temos a liberdade de ir. Temos a liberdade não ir. Eu escolho ir. Nunca me arrependi.»

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

16.ª Festa do Cinema Francês


A Festa do Cinema Francês regressa a 18 salas de 18 cidades, entre os dias 8 de outubro e 29 de novembro. 

Lisboa (8 a 18 out.), Braga (13 a 14 out.), Almada (14 a 18 out.), Portimão (15 a 17 out.), Porto (20 a 25 out.), Aveiro (22 a 23 out.), Évora (22 a 24 out.), Santarém (28 a 29 out.), Coimbra (28 out. a 2 nov.), Leiria (30 a 31 out.), Faro (5 a 8 nov.), Viana do Castelo (10 a 13 nov.), Setúbal (13 a 15 nov.), Beja (17 a 22 nov.), Caldas da Rainha (18 a 19 nov.), Guimarães (22 a 25 nov.), Seixal (27 a 28 nov.) e S. Pedro do Sul (27 a 29 nov.) são as cidades anfitriãs desta 16.ª edição.

Ainda falta um mês para chegar a Faro, mas aproveito para divulgar antecipadamente, para que todos vós possam escolher e assistir aos melhores filmes franceses.

Quanto a mim, já selecionei os meus:
- Hippocrate de Thomas Lilti (comédia dramática);
La prochaine fois je viserai le Cœur de Cédric Anger (drama policial);
Maestro de Léa Fazer (comédia dramática);
Spartacus et Cassandra de Ioanis Nuguet (documentário).

domingo, 4 de outubro de 2015

«Que povo este!»

Foto: Jornal Sol, 25-09-2012

«Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão.»
in Diário X, Miguel Torga (1968)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

«Cyneticum», por Mito Algarvio Ensemble


Cyneticum, por Mito Algarvio Ensemble
1 de outubro | 21h30 | Cine-Teatro Louletano

«Cyneticum é o nome da viagem que este coletivo de músicos oriundos do Algarve, e que cultivam conjuntamente um imenso amor pela música e pelo instrumento acordeão, nos convidam a participar.

A nossa música, a nossa caixinha de segredos mais íntimos que fica exposta e que está em permanente mutação – é assim que todos pensamos e vivemos a música, sendo que cada elemento possui o seu universo musical bastante único.»

Celebração do Dia Mundial da Música
Vou gostar, com toda a certeza!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"A cada passo, a vida inteira"

The Highlands, Escócia

«Este é um caderno de viagem, única e irrepetível como qualquer ser. Como qualquer sede. Porque viajar, à semelhança de escrever ou guerrear, é um frívolo segundo de desabafo; é uma meditação e um descanso. É viver de ideias novas, porque nunca estancam. Uma viagem é uma obra por fazer. É como uma vida inteira, em ponto pequeno.
Viajar é ser um pouco vento, participar da sua magia de forma microscópica. Por isso, chegar à casa do vento e assistir à sua partida apressada em todas as direcções é um encadeamento de momentos que pode decifrar o porquê de os elementos serem deuses, e o homem, o agente electrificado com suficiente voltagem para o compreender.»
O Vento dos Outros - A cada passo, a vida inteira, Raquel Ochoa

sábado, 19 de setembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

Este amor...

Cabo Sardão, Portugal 

É um amor feito de mar,
de pizza,
e de tardes quentes.

É um amor feito de kms,
de fins de semana,
e de comboios.

É um amor feito de travessias,
de férias,
e de aviões.

Ele é bonito.
É feito de sonhos,
que cheiram a terra.

Ela gosta dele. Mui-to.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

«o romance de uma vida»

«- Dizem que se quisesses poderias ser um bom escritor. 
Nunca tinha ouvido nada semelhante na família. As minhas inclinações tinham permitido supor desde criança que fosse desenhador, músico, cantor de igreja e inclusive poeta dominical. Tinha descoberto em mim uma tendência conhecida de todos para uma escrita bastante retorcida e etérea, mas a minha reacção dessa vez foi mais de surpresa. 
- Se fosse para ser escritor, teria que ser dos grandes, e esses já não se fazem – respondi à minha mãe. – Ao fim e ao cabo, para morrer de fome há outros ofícios melhores.» 

Gabriel García Márquez é um dos meus escritores queridos. As suas estórias povoadas de imensos personagens, de um realismo mágico e de uma simplicidade poética são tão intensas e apaixonantes, que nos conduzem por caminhos sempre expectantes e cheios de vida. 

Viver para contá-la não podia ser diferente. Esta obra de memórias do autor é repleta de tudo isso: de entusiasmo e paixão. E por isso deve ser lida devagar, bem devagar, para se saborear cada vivência ao pormenor. 

O autor partilha com todos nós os seus anos de infância e juventude e em como toda a sua vida, sempre envolvida e viciada também em livros, daria lugar a alguns dos contos e romances tão nossos conhecidos. Nestas suas vivências de casa cheia por uma família sem fim à vista, de descobertas, de amores e desamores, de fugas, de conflitos e guerras num país que era o seu, fui descobrir as histórias e os personagens que inspiraram as suas obras mais aclamadas como Cem Anos de Solidão ou O Amor em Tempos de Cólera, mas também outras como Ninguém Escreve ao Coronel (o primeira que li do autor e que ainda hoje guardo um carinho especial) e Crónica de uma Morte Anunciada. E muitas outras preenchem este universo tão rico do autor. 

Conhecer um pouco mais sobre um autor que tanto deu à literatura latino-americana e a nós leitores foi tão enriquecedor, como admirável. Depois da leitura destas memórias as suas estórias têm um outro sentido e uma nova identidade. Como refere Gabo no início desta obra «A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como a recorda para contá-la.» 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

«Ascension»


Ascension, Thomas Bourdis, Martin de Coudenhove, Caroline Domergue, Colin Laubry and Florian Vecchione, 2013

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

tonalidades de agosto

Fonte Santa, Quarteira

«A câmara fotográfica não faz qualquer diferença. Todas registam aquilo que conseguimos ver. Mas, temos que Ver.”
Ernst Haas
(Dia Mundial da Fotografia)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A terapia da «Floresta Encantada»

«Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.»
O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa

No mês passado recebi como prenda de aniversário um livro, não para ler, mas para pintar. São os chamados "livros de colorir para adultos" e que têm estado no top de vendas um pouco por todo o mundo. Ainda hoje li no Observador que "em Portugal já há quem não saia de casa sem eles e quem diga que são terapêuticos".

Na mala vinda do outro lado do atlântico encontrava-se a Floresta Encantada, de Johanna Basford. Este só irá chegar a Portugal em dezembro deste ano, pois por agora está no top nacional O Jardim Secreto, que já vendeu 1 milhão de livros. Mas voltemos à Floresta Encantada...

A ilustradora Johanna Basford convida-nos a entrar e a viajar pelo coração de uma floresta encantada, enquanto pintamos os desenhos que nela se encontram, como: animais, flores, criaturas curiosas, objetos mágicos, castelos e entre outros. 

Para ilustrar este livro, a autora inspirou-se na região rural onde mora na Escócia. Este para além de um livro de colorir é também um livro de caça ao tesouro, pois temos de encontrar os nove símbolos ocultos ao longo das páginas, que irão permitir destravar a porta do castelo no final da jornada e descobrir o que se esconde lá dentro.

As ilustrações de Johanna Basford são lindíssimas e hipnóticas. Não há como resistir a esta viagem a preto e branco, que a pouco e pouco vai ganhando cor pelas nossas mãos. 

Desde que comecei na semana passada, que ainda não consegui parar com este meu novo vício, que me faz regressar aos meus dias felizes de criança. 

Entre uma cor e outra não penso em mais nada. O tempo não existe e a artista dentro de mim vai explorando a floresta encantada, com uma mão cheia de cores e um sorriso ingénuo de satisfação pelo resultado final.

domingo, 2 de agosto de 2015

15| livrarias e bibliotecas no mundo

Praia de Melides, Grândola, Portugal

Com este calor que se tem sentido, a praia é um dos lugares onde melhor se pode estar. Para refrescar, relaxar e descontrair. Como gosto imenso de praia, no verão só me sabe estar dentro de água.

Num destes passeios pela costa alentejana, andei descobrindo algumas praias bastante convidativas. A água não é tão quente como as dos algarves, mas o areal é bem extenso, não nos permitindo sentir como sardinhas em lata.

E se há coisa que é sempre agradável de se encontrar numa praia é uma Biblioteca. Este pequeno espaço de leitura pode ser encontrado na Praia de Melides, situada no concelho de Grândola. 

Assim, naquelas horas de maior calor, nada como nos refrescarmos numa esplanada, aproveitando uma boa leitura.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

«ficou tanto por dizer»

Micro Contos, de Fernando Guerreiro é um pequeno livro que passou do virtual para o papel. Depois de cinco anos a publicar pequenas estórias numa página do facebook, Fernando Guerreiro selecionou 114 micro contos e passou-os para o papel, em uma edição de autor.

Já há algum tempo que seguia os Micro contos no facebook, mas quando soube que estes iriam passar para o papel não pude deixar de os (re)ler. Estas histórias curtas são tão deliciosas e tão bem conseguidas que são quase como uma inspiração para o dia.

Na sua página, os micro contos são sempre acompanhados de uma fotografia a preto e branco. Ambos, imagem e texto, são uma combinação perfeita! Já no livro os micro contos permitem-nos imaginar e construir as nossas próprias imagens.

«Passava noites a chorar. Era assim que expulsava toda a tristeza do corpo para, durante o dia, poder fazer rir os outros.» (Limpeza); «Vivia numa corrente de ar constante, dividido entre o que fora e o que pode vir a ser. Só quando decidiu fechar a janela do passado é que conseguiu, finalmente, abrir a porta do futuro.» (Decisão); «No dia em que o amor foi declarado ilegal, tornou-se contrabandista.» (Proibição); «Juntaram os defeitos de ambos e fizeram disso uma perfeita imperfeição.» (União); «Tanto hesitou até que a vida acabou sem nunca ter acontecido.» (Inércia) e «A Morte bateu à porta. Com todo o vagar do mundo, parou a conversa, pousou a chávena de café, levantou-se do sofá e foi abrir. Pediu desculpa, o momento não era oportuno. Agora não a podia atender, a Vida tinha chegado antes e estavam a fazer planos para o futuro.» (Marcação) são algumas das histórias que mais gostei.

O livro pode ser adquirido online em http://www.microcontos.pt/

terça-feira, 9 de junho de 2015

«Génesis» | Sebastião Salgado

Génesis, na Cordoaria Nacional, em Lisboa

«Minhas fotografias são um vetor entre o que acontece no mundo 
e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. 
Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma.» 
Sebastião Salgado

Génesis é o título da exposição de Sebastião Salgado que está patente até ao dia 2 de agosto, na Cordoaria Nacional, em Lisboa.

Com curadoria de Lélia Wanick Salgado, esta exposição é um «tributo a um planeta ameaçado», que prima por uma singela beleza a preto e branco e que vem comprovar «que o nosso planeta ainda abriga vastas e remotas regiões onde a natureza reina em imaculada e silenciosa majestade».

A exposição é composta por 245 fotografias e está dividida em cinco secções: Sul do Planeta, África, Santuários, Terras a Norte e Amazónia e Pantanal, estas duas últimas podem ser vistas no piso superior da galeria.

Uma das fotos que mais gostei encontra-se logo na primeira secção e são uns pinguins em fila, à espera de saltar para o infinito. Está lindíssima!

Pinguins-de-barbicha, icebergs entre as ilhas Zavodovski e Visokoi. 
Ilhas Sandwich do Sul, 2009*

Para quem vive em Lisboa ou está de visita à cidade não pode perder esta jornada do fotógrafo em busca das «paisagens terrestres e aquáticas até hoje intocadas» e que todos temos o dever de proteger.

A entrada tem um valor de 5€, mas há descontos especiais para possuidores de: cartão jovem, cartão de estudante, cartão de Multibanco CGD, bilhete de comboio longo-curso, entre outros.

Mais informações sobre esta «viagem ao princípio de tudo» em http://www.expogenesis.pt/
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*Foto retirada do portal da exposição.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

2| Lugares que inspiram a leitura

Praça Burg em Bruges, Bélgica

- Para conhecer o charme desta cidade belga nada melhor do que calcorreá-la a pé e desfrutar de todos os seus encantos e recantos.
- Hum... Deixa ver... Nós estamos na praça Burg. Certo? Se formos pela direita, vamos ter à Grote Markt (Praça Central).
- E na Grote Markt podemos aproveitar e subimos os 366 degraus do campanário, Belfort. Que achas?
- Bem... A vista sobre a cidade deve compensar o esforço.

sábado, 9 de maio de 2015

«À Espera de Godot»


Depois da grande estreia no Teatro da Trindade, em Lisboa, a peça À Espera de Godot, pela ACTA - A Companhia de Teatro do Algarve, subiu ontem ao palco do Teatro Lethes, em Faro. 

Com texto de Samuel Beckett (prémio Nobel da Literatura em 1969), «a peça coloca-nos perante uma feição tragicómica da realidade humana.» O encenador Luís Vicente, refere que «Fazemos este texto para falarmos das nefastas consequências que tiveram, e continuam a ter, nas nossas vidas, as práticas violentas, imorais, terroristas e oportunistas de certas instituições financeiras.» 

Estragon (Pedro Lima) e Vladimir (Pedro Laginha) são os dois anti-heróis à espera de Godot. Perderam tudo. "Nada a fazer", diz Estragon. "Começo a ter a mesma opinião", responde Vladimir. Os dois homens vestidos de preto esperam por Godot, que nunca chega. E o que se espera enquanto se espera? Por vezes, desespera-se. 

Enquanto esperam por Godot, entram em cena Pozzo (Luís Vicente) e Lucky (René Barbosa), este último é escravo do primeiro. O opressor e o oprimido. Ao oprimido é-lhe dada a oportunidade de falar, mas quando começa a falar, não consegue exprimir-se. Tem um discurso incompreensível. Entretanto, chega um rapaz (Tânia da Silva) para anunciar que Godot não vem. O tempo passa. E nada muda. A eterna espera. O desespero.

No palco, como nos nossos dias, espera-se. Espera-se por algo ou por alguém que nunca há de chegar. E por vezes, a espera transforma-se em desespero. Parece que nada mais temos feito, então, do que esperar por Godot... 

Um texto dramático, terrivelmente atual! Gostei imenso e só posso recomendar.

Em cena: 
Faro: 9, 15, 16 (21h30), 10 e 17 de maio (16h00);
Portimão: 22 e 23 de maio, às 21h30.
Loulé: 6 de junho, às 21h30.

terça-feira, 28 de abril de 2015

8.ª Festa do Cinema Italiano


Para os mais distraídos, aviso que a 8 1/2 Festa do Cinema Italiano está a chegar à cidade de Loulé. 

Este ano, a 8.ª edição esteve pela primeira vez nas Caldas da Rainha. Já passou por Lisboa e entre os dias 1 e 3 de maio, vai estar no Algarve. Depois sobe até Coimbra (5-7 de maio) e voa para o Funchal (8 e 10 de maio), para continuar a mostrar o melhor do cinema italiano.

A mostra cinematográfica do ano passado voltou a ter um balanço bastante positivo. Destaco A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino, como o filme mais marcante da última edição. Também participei de um workshop Italiano per principianti, que, para além de ser muito animado, permitiu conhecer um pouco mais da cultura gastronómica italiana. O deste ano será sobre a Moda.

Para este fim de semana prolongado, vou apostar no filme de abertura, I Nostri Ragazzi, de Ivano de Matteo, baseado no livro de Herman Koch, O Jantar. Já no sábado, espero poder assistir às curtas-metragens, que são sempre surpreendentes, e não quero perder Almas Negras, de Francesco Munzi. Filme que teve um grande sucesso por parte da crítica, recebendo 13 minutos de aplausos após a projeção oficial no Festival de Veneza. Vamos lá ver se merece!

Quem estiver por Loulé, Coimbra e Funchal pode sempre aproveitar esta Festa! :)

sábado, 25 de abril de 2015

«Os Sobreviventes»


25 de abril, 21h30, Teatro das Figuras

«A reconstrução do primeiro álbum [Os Sobreviventes] de Sérgio Godinho por B Fachada, Francisca Cortesão (Minta) e João Correia (Tape Junk) soma cerca de 15 minutos à original. O que quer dizer muitas coisas mas prova essencialmente que, na sua matéria poético-musical, o trio encontrou uma plasticidade invulgar que, mais do que uma reprodução, permitiu uma expansão. "Os Sobreviventes" foi levado ao palco pela primeira vez no Lux Frágil, em Lisboa, exactamente no ano em que se assinalaram os 40 anos do 25 de Abril.»

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mal de ortografia

Eterna Biblioteca, Paulo Galindro, Portugal

«No entanto, o que mais me afectou da entrevista foi ter enfrentado, uma vez mais, o meu drama pessoal com a ortografia. Nunca consegui entender. […] Outros consolavam-me com o pretexto de que é um mal de muitos. Ainda hoje, com dezassete livros publicados, os revisores das minhas provas de imprensa honram-me com a galantaria de corrigir os meus horrores de ortografia como simples erratas.» 
Viver Para Contá-laGabriel García Márquez


E no Dia Mundial do Livro pergunto: Quem é o autor destas palavras? 
Foi Prémio Nobel de Literatura. E mais não digo.
(Não vale pedir a ajuda do Google)
Resposta ao desafio: Gabriel García Márquez

terça-feira, 14 de abril de 2015

História de Anasztázia Varga e outras estórias

Pode parecer mentira, mas ontem terminei de ler o primeiro livro deste ano, que já estava parado na mesa de cabeceira desde o ano passado. A falta de tempo e motivação para leituras foram os principais motivos, mas A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz também não correspondeu totalmente às minhas expetativas iniciais e daí ter arrastado a leitura. 

Afonso Cruz é um autor genial e a sua subtileza com as palavras é contagiante, daí esperar sempre algo extraordinário nos seus livros! Como já namorava esta obra fazia algum tempo e a sinopse inspirava à leitura, não resisti e comprei-o. Não desgostei da história. Longe disso! Só que lá está, esperava algo diferente. Talvez a sinopse tenha-me induzido em erro, e também por isso, acabei por perder o entusiasmo na leitura a meio da terceira parte do livro. Que até é já bem no fim. 

A primeira parte lê-se num ápice. As vidas de Bonifaz Vogel, um homem que tem uma loja de pássaros, de Isaac Dresner, um rapaz judeu que se esconde na cave do comerciante, e de Tsilia Kacev, uma judia com chagas que se junta àquela família improvisada, viciam-nos. Afonso Cruz agarra-nos e puxa-nos para dentro desta história alucinante e poética. 

«- A porta do paraíso é a boca de um frasco - disse Isaac. - Era o que o meu pai me dizia: a boca de um frasco. Sabe porquê, Sr. Vogel? Por causa do macaco. Imagine um frasco de nozes. O macaco não tem dificuldade em meter lá a mão, mas quando pega nas nozes não consegue tirá-la. Terá de largar as nozes para ser livre. E o paraíso é assim, temos de deitar fora as nozes e mostrar as nossas mãos vazias.»

Já na segunda parte, ficamos a conhecer Mathias Popa, um escritor sem sucesso que um dia decidiu roubar um manuscrito a Thomas Mann e publicá-lo como se fosse seu. É nesta parte que surge-nos o livro "A Boneca de Kokoschka" de Mathias Popa, dentro do livro de Afonso Cruz, que conta-nos a história de Anasztázia Varga e da sua família. 

As personagens tentam procurar-se, mas andam em constantes desencontros, como se andassem num labirinto que não tem fim. A história parece um jogo e o leitor perde-se entre o real e o fictício. A Boneca de Kokoschka não é de todo uma leitura perdida. Nesta história complexa, o poder imaginativo de Afonso Cruz continua a surpreender.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

«O Gato e o Rato», de Günter Grass

Black Cat and Mouse, Linda Apple, E.U.A.

«Logo na primeira visita reparei no bufo-branco empalhado. Eu não morava muito longe dali, na Westerzeile; porém, não é de mim que é para falar, mas sim de Mahlke ou de Mahlke e de mim, mas sempre com a ênfase em Mahlke, pois era ele que tinha o risco ao meio, era ele que usava botas, era ele que ora tinha isto ora tinha aquilo pendurado ao pescoço, para distrair o eterno gato daquele eterno rato, era ele que se ajoelhava diante do altar de Maria, era ele o mergulhador com a queimadura solar recente, estava em relação a nós, ainda que desajeitadamente e sem graça, sempre um pouco mais adiante e , ainda mal tendo acabado de aprender a nadar, pretendia mais tarde, depois da escola e por aí em diante, ser palhaço num circo e fazer as pessoas rir.»
O Gato e o Rato, Günter Grass (1927-2015)

«Grass é um dos escritores mais inteligentes, mais contundentes que me foi dado a ler na escrita contemporânea.Um homem rigoroso, preciso e polémico, que nunca se esquece que escrever é liberdade.»
Maria Teresa Horta 

sexta-feira, 10 de abril de 2015

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Brígida Brito Fotografia



Hoje partilho com vocês o trabalho maravilhoso de uma amiga querida, que dedica todo o seu amor e paixão no registo de momentos de ternura para a vida.

Apaixonem-se!

quinta-feira, 26 de março de 2015

«O Menino de sua Avó»


Amanhã, dia 27 de março, assinala-se o Dia Mundial do Teatro. 

Para comemorar este dia decidi não faltar à chamada e ir assistir à peça O Menino de sua Avó, pelo Grupo de Teatro "A Barraca", no Cine-Teatro Louletano.

Como estou expectante, deixo-vos aqui um cheirinho de como será a minha soirée, para o caso de também quererem aparecer.
  
«"Somos sonhos distantes, deste mundo em que nós brincamos" Um dueto cénico entre Fernando Pessoa e a sua avó Louca. Sete encontros onde o fantástico ganha a cena, numa divertida fantasia onde material e imaterial se confundem, à maneira pessoana, entre personagens que se cruzam do lado de cá e de lá da vida. A peça inédita de Armando Nascimento Rosa, Menino de sua avó, escrita para Maria do Céu Guerra e Adérito Lopes, acompanha ambas as personagens na vida e na morte, numa sucessão de momentos que atravessam o século XX português.»

Vais ao Teatro? Partilha comigo a peça que vais ver. :)

terça-feira, 24 de março de 2015

"No sorriso louco das mães"


Herberto Helder (1930-2015)

 "Quando morre um poeta com a dimensão de Herberto Helder o que sentimos é que não apenas morreu um poeta mas a poesia".
José Tolentino Mendonça

sábado, 21 de março de 2015

1| Lugares que inspiram a leitura

Praça de Espanha em Sevilha, Espanha

«Eu, a medida de todas as coisas?
As coisas estão no mundo
e todos os dias me espanto com elas.
Espanta-me o grito profundo
dos violentos pássaros matutinos.
A pedra inerte
no meio do caminho
ou servindo de aríete
nas mãos do indignado estudante coreano
espanta-me.
Maior mistério não há
do que a cruel sucessão das estações,
ano após ano.
Assustam-me os sons
eclécticos do quotidiano:
buzinas, choros, canções.
Igualmente: o áspero açoite
do vento nas árvores
fragilizadas.
Como um insecto cego e iludido,
sou atraído pelo fascínio da noite.
O oceano emociona-me,
assim como as rimas pobres:
amor e flor,
coração e paixão,
por exemplo.
Odeio injustiças, mas cometo-as, 
fingindo desconhecimento.
Eis a minha única certeza:
tarde ou cedo,
serei triturado pelo velho moinho da morte,
cujas velas reinam, obscenas,
sobre todo o azar
ou sorte.
Mas estou vivo
e estou no mundo.
Ignorante e sábio,
doce e agressivo,
cobarde e capaz
de descobrir a coragem
no fundo do medo,
ingénuo e cínico,
em incessante aprendizagem:
eu, a medida de todas as coisas.»
«Aprendizagem» in Auto-retrato, João Melo
(Dia Mundial da Poesia)

domingo, 8 de março de 2015

as Mulheres e o caos no mundo

Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, Croácia

«Acabo de ver nos noticiários da televisão manifestações de mulheres em todo o mundo e pergunto-me uma vez mais que desgraçado planeta é este em que ainda metade da população tem que sair à rua para reivindicar o que para todos já deveria ser óbvio... Chegam-me informações oficiais de solenes instituições que dizem que pelo mesmo trabalho a mulher cobra dezasseis por cento menos, e seguramente esta cifra está falseada para evitar a vergonha de uma diferença ainda maior. Dizem que os conselhos de administração funcionam melhor quando são compostos por mulheres, mas os governos não se atrevem a recomendar que quarenta por cento, já não digamos cinquenta, sejam compostos por mulheres, ainda que, quando chega o colapso, como na Islândia, chamem mulheres para dirigir a vida pública e a banca. Dizem que para evitar a corrupção na organização do trânsito em Lima vão colocar guardas mulheres, porque se comprovou que nem se deixam subornar nem pedem coimas. Sabemos que a sociedade não funcionaria sem o trabalho das mulheres, e que sem a conversação das mulheres, como escrevi há algum tempo, o planeta sairia da sua órbita, nem a casa nem quem nelas habita teriam a qualidade humana que as mulheres colocam, enquanto os homens passam sem ver, ou, vendo, não se dão conta de que isto é coisa de dois e que o modelo masculino já não serve. Continuo vendo manifestações de mulheres na rua. Elas sabem o que querem, isto é, não ser humilhadas, coisificadas, desprezadas, assassinadas. Querem ser avaliadas pelo seu trabalho e não pelo acidental de cada dia. Dizem que as minhas melhores personagens são mulheres e creio que têm razão. Às vezes penso que as mulheres que descrevi são propostas que eu mesmo quereria seguir. Talvez sejam só exemplos, talvez não existam, mas de uma coisa estou seguro: com elas o caos não se teria instalado neste mundo porque sempre conheceram a dimensão do humano.»
O Caderno IJosé Saramago, 8 de março de 2009

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