quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

"Um planeta resiliente"



Inaugura amanhã, dia 24 de fevereiro, às 18h30, a exposição "Um planeta resiliente - fragmentos com humor de um planeta não muito distante" da autoria de phermad

A mostra, que irá estar patente até 30 de abril, na Galeria LAR, em Lagos, é composta por uma seleção de cartoons, caricaturas, BD e outros "devaneios criativos".

Esta é definitivamente a maior exposição realizada por phermad, que já conta com 20 anos de "bonecada". São mais de 50 desenhos em cada parede, mais de 200 em toda a sala e muitos ainda a brotar!

Segundo o autor, a entrada para esta exposição "não é aconselhada a menores, nem a adultos com pouco sentido de humor".

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Escuta, amor


Ilustração: phermad

"Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo.

Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos. 

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente, são moldados pelas noites metafóricas e pelas manhãs metafóricas. Talvez outras pessoas chamem entendimento a essa certeza, mas eu e tu não sabemos se existem outras pessoas no mundo. Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. 

Questiono os gestos mais simples, escrever este texto, tentar dizer aquilo que foge às palavras e que, no entanto, precisa delas para existir com a forma de palavras. Mas eu questiono, pergunto-me, será que são necessárias as palavras? Eu sei que entendes o que não sei dizer. Repito: eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo. 

Escuta, 
ouve. 
Amor. 
Amor." 
In Abraço, de José Luís Peixoto

domingo, 20 de novembro de 2016

«Era esta a minha missão"»

Um ano passou desde a última opinião literária que aqui publiquei... Não tenho dedicado muito tempo aos livros, é verdade! Mas finalmente terminei um livro que há mais de um ano esperava, pacientemente, na mesa de cabeceira a sua hora final. E quando digo "finalmente" não pensem que foi uma tortura lê-lo. Nada disso. Afirmo com toda a convicção que foi um dos livros mais arrebatadores que li nos últimos tempos. Tinha de ser lido assim, bem devagarinho. 

Falo-vos de uma autobiografia que descreve-nos, pacientemente,  a história de uma vida. A história real de uma pessoa genuinamente extraordinária e que todos nós devíamos ter como inspiração diária, pois nos dias de hoje falta-nos heróis assim. 

A história de um homem que teve uma vida de luta e de derrota, mas que teve na derrota a força da resiliência e da esperança para saber aguardar pelo dia da mudança e do triunfo. 

É nas suas palavras francas e até ingénuas, que vamos assistindo às mudanças de um homem que nasceu livre, mas que cedo percebeu que essa liberdade era uma ilusão e por isso teve de lutar pela sua liberdade. E não só lutou por ela, como também pela liberdade do seu povo.

«Foi durante esses anos longos e solitários que a minha ânsia de liberdade para o meu povo se dilatou numa ânsia de liberdade para todos, brancos e negros. Estava ciente de que o opressor precisava tanto de ser liberto como o oprimido. Um homem que rouba a liberdade a outro homem é um prisioneiro do ódio, está trancado atrás das grades do preconceito e da estreiteza mental. Ninguém é totalmente livre quando rouba a liberdade de outrem, do mesmo modo que não é livre aquele a quem tiram a liberdade. O opressor e o oprimido são igualmente despojados da sua humanidade.»

Um longo caminho para a liberdade, de Nelson Mandela, é um relato sereno, profundo e cativante de «um homem que ao procurar cumprir o seu dever para como o povo foi inevitavelmente arrancado à família, pois ao tentar servir o seu povo apercebeu-se de que ficava impedido de cumprir as suas obrigações de filho, irmão, de pai e de marido.»

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Trilho Lago Argentino


Percurso: Pedestre 
Localização: El Calafate, Santa Cruz, Argentina
Distância aproximada: 2-3 km 
Duração aproximada: 1 hora 
Grau de dificuldade: Baixo 

A cidade de El Calafate localiza-se na província de Santa Cruz, no sul da Argentina. Fica 3h20 de avião de Buenos Aires e é uma das portas de entrada para os amantes de trekking. Daqui parte-se para o Parque Nacional Los Glaciares.

Esta pequena cidade permite desfrutar de passeios relaxantes antes de se iniciar os longos percursos pelos trilhos da Patagónia. E como na Patagónia nunca se sabe como será o tempo, o melhor mesmo é nunca sair sem se estar prevenido para tudo.

Ora, no dia da nossa caminhada o vento era tão forte, mas tão forte, que parecia que finalmente iríamos experimentar a sensação de voar a sério. Aliás, este foi o maior grau de dificuldade do percurso, pois conseguir caminhar nestas condições ventosas é algo quase impossível. De resto, é um percurso num passadiço plano e tranquilo, onde por vezes podemos ver o dia a dia dos gaúchos com os seus cavalos e onde podemos escapar dos turistas, pois estes preferem a movimentada avenida principal.

Junto ao lago Argentino, é possível avistar flamingos, teros bandurrias. A vegetação é quase toda ela rasteira e compreende-se bem o porquê! No percurso não encontrei o Calafate, um arbusto típico da região, que deu o nome à cidade. Este dá um fruto que nos deixa a língua toda roxa e conta a lenda que quem o provar volta numa outra vida. Encontrei-o dias depois em El Chaltén e claro que provei o fruto.

Já no final, há que voltar para o centro da cidade e deliciarmo-nos com os maravilhosos chocolates artesanais. Não dá para resistir, garanto-vos!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Dia Mundial da Terra

Leão Marinho Sulamarericano
Canal Beagle em Ushuaia, Argentina

«An understanding of the natural world and what’s in it is a source of not only a great curiosity but great fulfillment.»
David Attenborough

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